Os distúrbios emocionais na infância representam um desafio significativo para o desenvolvimento saudável das crianças. Transtornos como a ansiedade infantil, a depressão, o transtorno de estresse pós-traumático e dificuldades regulatórias de emoção podem afetar não apenas o bem-estar emocional, mas também a cognição, os relacionamentos interpessoais e o desempenho escolar.
Dessa forma, o diagnóstico precoce e a intervenção psicológica adequada são essenciais para minimizar impactos negativos e favorecer o desenvolvimento socioemocional da criança.
Principais Distúrbios Emocionais na Infância Entre os transtornos emocionais mais frequentes na infância, destacam-se:
Transtornos de Ansiedade: Caracterizam-se por medos excessivos e preocupações desproporcionais ao contexto, podendo se manifestar como fobias específicas, ansiedade de separação ou transtorno de ansiedade generalizada (American Psychiatric Association [APA], 2022).
Transtorno Depressivo Infantil: Embora muitas vezes subestimado, a depressão infantil pode se manifestar por tristeza persistente, irritabilidade, perda de interesse em atividades prazerosas e dificuldades acadêmicas (Beesdo-Baum & Knappe, 2019).
Transtorno de Estresse Pós-Traumático (TEPT): Resultante da exposição a eventos traumáticos, crianças com TEPT podem apresentar flashbacks, hipervigilância e evitação de situações que lembrem o trauma (Cohen et al., 2017).
Transtorno Opositivo-Desafiante (TOD): Embora tenha forte componente comportamental, esse transtorno está frequentemente associado a dificuldades emocionais, como frustração intensa e baixa tolerância a regras e limites (Kazdin, 2018).
Intervenções Psicológicas Baseadas em Evidências A escolha do tratamento ideal para distúrbios emocionais na infância deve considerar as características individuais da criança, sua idade, o contexto familiar e social. Algumas das abordagens mais eficazes incluem:
Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) A TCC é uma das abordagens mais bem estabelecidas para o tratamento de distúrbios emocionais infantis. Ela trabalha na identificação e reestruturação de pensamentos disfuncionais, promovendo habilidades de enfrentamento e estratégias para regulação emocional. Estudos indicam que a TCC tem alta eficácia no tratamento da ansiedade e depressão infantil (Kendall et al., 2020).
Intervenções Baseadas na Análise do Comportamento A Análise do Comportamento Aplicada (ABA) é amplamente utilizada para crianças com dificuldades emocionais associadas a transtornos do neurodesenvolvimento, como o Transtorno do Espectro Autista (TEA). Técnicas como reforço positivo e modelagem ajudam na aquisição de habilidades emocionais e sociais (Cooper et al., 2020).
Treinamento Parental e Intervenções Sistêmicas A participação da família é essencial no tratamento dos distúrbios emocionais infantis. Programas de treinamento parental auxiliam os cuidadores a estabelecerem interações mais funcionais, promovendo um ambiente seguro e previsível para a criança (Eyberg et al., 2019).
Terapia de Aceitação e Compromisso (ACT) e Mindfulness Intervenções baseadas na ACT e Mindfulness são eficazes na promoção da regulação emocional e no manejo da ansiedade e do estresse infantil. Essas abordagens ensinam a criança a lidar melhor com pensamentos e emoções desconfortáveis, promovendo maior flexibilidade psicológica (Hayes et al., 2016).
Conclusão Os distúrbios emocionais na infância exigem atenção especializada para evitar impactos a longo prazo no desenvolvimento da criança. A psicologia dispõe de abordagens baseadas em evidências que, quando aplicadas de forma adequada, promovem melhora significativa na qualidade de vida infantil. A intervenção precoce e o suporte familiar são fundamentais para que a criança desenvolva habilidades emocionais e sociais saudáveis, favorecendo um crescimento equilibrado e resiliente.
Referências American Psychiatric Association. (2022). Diagnostic and statistical manual of mental disorders (5ª ed., Texto revisado). APA Publishing. Beesdo-Baum, K., & Knappe, S. (2019).
Developmental epidemiology of anxiety disorders. Child and Adolescent Psychiatric Clinics of North America, 28(2), 155–170. https://doi.org/10.1016/j.chc.2018.11.002
Cohen, J. A., Mannarino, A. P., & Deblinger, E. (2017). Treating trauma and traumatic grief in children and adolescents. Guilford Press.
Cooper, J. O., Heron, T. E., & Heward, W. L. (2020). Applied behavior analysis (3ª ed.). Pearson.
Eyberg, S. M., Nelson, M. M., & Boggs, S. R. (2019). Evidence-based psychosocial treatments for children and adolescents with disruptive behavior. Journal of Clinical Child & Adolescent Psychology, 48(1), 1–24. https://doi.org/10.1080/15374416.2018.1548226
Hayes, S. C., Strosahl, K. D., & Wilson, K. G. (2016). Acceptance and commitment therapy: The process and practice of mindful change (2ª ed.). Guilford Press. Kazdin, A. E. (2018). Parent management training: Treatment for oppositional, aggressive, and antisocial behavior in children and adolescents. Oxford University Press.
Kendall, P. C., Hudson, J. L., Gosch, E., Flannery-Schroeder, E., & Suveg, C. (2020). Cognitive-behavioral therapy for anxiety disordered youth: A randomized clinical trial evaluating child and family modalities. Journal of Consulting and Clinical Psychology, 88(1), 23–36. https://doi.org/10.1037/ccp0000452